quinta-feira, 30 de abril de 2009

Soneto de Fidelidade






"De tudo ao meu amor serei atento


Antes, e com tal zelo, e sempre, e tanto


Que mesmo em face do maior encanto


Dele se encante mais meu pensamento.




Quero vivê-lo em cada vão momento


E em seu louvor hei de espalhar meu canto


E rir meu riso e derramar meu pranto


Ao seu pesar ou seu contentamento




E assim, quando mais tarde me procure


Quem sabe a morte, angústia de quem vive


Quem sabe a solidão, fim de quem ama


Eu possa me dizer do amor (que tive):


Que não seja imortal, posto que é chama


Mas que seja infinito enquanto dure."




Vinícius de Moraes




terça-feira, 28 de abril de 2009

Conflito


“Me calo...
Chego a não suportar minha voz.
Estou em conflito nas entrelinhas do meu eu.
Desvendando mistérios, desejos, angústias.

Não consigo...

Não vejo saída.
Me incomoda o silêncio.
No entanto, tenho q aprender a ouvi-lo.
Falo...

Não consigo...

Não vejo saída.
Me incomoda a fala.
Não quero ser dona da verdade.
O que é a verdade?

Paro.
Abraço-me num saudoso capricho.
Me enlaço nas entranhas dos meus pensamentos.
E por fim, não vejo nada.

Consegui...”

segunda-feira, 27 de abril de 2009

Ser amigo


Costumamos ter frases feitas do que é ser um amigo: aquele que está sempre nos momentos mais difíceis, aquele que sempre te anima, o confidente, o que coloca pra cima dentre outros. A imagem de ser amigo é sempre uma imagem bonita de ver, afinal, amigo é aquele que você ponte contar pro que der e vier. Eu penso o contrário. Amigo pra mim é aquele que não pode contar comigo pra tudo, mas ainda sim, pode contar comigo pro crescimento pessoal.

Não conte comigo, aquele amigo que faz da farra a única fonte de energia para viver, mas conte comigo o amigo que precisar fazer da farra, um momento de lazer, apenas, e não um fruto de irresponsabilidades. Não conte comigo o amigo que aproveita da minha amizade para denegrir a imagem de alguém, mas conte comigo para discutir a imagem de um outro alguém, e fazer desse olhar, um novo olhar para se basear na vida. Não conte comigo o amigo que sai na rua feito inconseqüente, que faz de tudo o que é irresponsável como algo bom, como forma de viver sua individualidade, mas conte comigo o amigo que tem suas irresponsabilidades e que, mesmo não conseguindo mudar, tenha consciência dos seus atos. Não conte comigo o amigo que vive na “putaria”, mas conte comigo o amigo que deixa fluir seus valores morais. Não conte comigo o amigo ladrão, mas conte comigo o amigo que queira sair dessa vida bandida, em todos os sentidos.

Ninguém é perfeito, inclusive um amigo. Todos nós somos detentores de falsos moralismos, de hipocrisia, isso é a realidade. Mas somos também detentores de valores, de opiniões próprias. Isso implica em dizer que, um amigo, fala não quando se deve falar não, um amigo “esculhamba” quando deve esculhambar, um amigo erra, se torna ignorante quando não consegue dizer pro outro que está errado. Ser amigo também é ser um alguém que vai te ajudar a crescer, não falando somente, no sentido profissional, mas falando no sentido de crescer como pessoa mesmo. Um amigo, um grande amigo, te freia, te dá um puxão de orelha, te fala com sinceridade e não por educação, porque ser amigo, é ser verdadeiro. Um amigo magoa também, porque toca na ferida, um amigo além de levar pra farra, te mostra também quando se está sem limite, quando se deve parar. Amigo de verdade, é aquele que não é perfeito e ainda sim tenta te mostrar o correto.

Quem é perfeito afinal? Quem sabe ser amigo de verdade? Deixo essas indagações para uma boa e árdua reflexão. Quem se encaixa nesse perfil, parabéns, você é por vezes odiado, mas, de certo modo, é feliz por ser você mesmo, um amigo fiel. Já quem não se enquandra: boa sorte!

Do saber conduzir a vida.


Dentre as inúmeras instâncias que nos preocupamos na vida, encontram-se as mais avassaladoras, aquelas que, se dão errado, todos os outros feitos na vida não se desenvolverão com grande dedicação e êxito. Para ser mais clara, estou falando de instâncias do coração, do pensamento. Falo de afetividade, de singularidade, do que é verdadeiro para si.

Quando brigamos com o namorado, com os pais, com o marido, quando nos indignamos com a vida, quando tentamos solucionar problemas pessoais, os quais não conseguimos resolvê-los em tempo hábil, quando nos sentimos impotentes, sem rumo em certos momentos, estamos carimbando um caminho que vai influenciar na forma de como desenrolamos nossa vida. Desenrolar a vida é perceber “coisas” minuciosas, pensar sobre elas e partir para a ação. E, é claro, que isso não é uma auto-ajuda, mas apenas uma porta que sirva como referência para quem quiser passar por ela.

Perceber, refletir e agir, nem sempre dão resultados positivos. Daí o complexo de se escolher um caminho “certo” para diluir coágulos. A motivação que paira sobre a pessoa que sofre, influencia no modo de ver os fatos com clareza, no modo de agir. Os incentivos também, na maioria das vezes, não são os mais louváveis, porque, geralmente, encontramos mais pessoas para apontar nossos defeitos a apontar nossos bem feitos.

A vida, por ela própria, já é cheia de sol e tempestade. Fica mais difícil, quando esse contraste sai de dentro de nós, quando o sol que nos faz brilhar se depara com medos, angústias, frustrações, raiva, mágoa, baixa-estima, sentimento de culpa, solidão. Fica muito mais difícil escolher um bom caminho, quando não entendemos o que estamos sentindo, quando não sabemos que ação tomar, primeiramente, ao nos deparar com essas tempestades.

O Conduzir a vida é digno de aplausos não quando evitamos furacões, mas quando partimos desses furacões para superar nossas limitações: fazer da decepção um aprendizado, fazer da mágoa o perdão, fazer das lágrimas o sorriso, fazer das pedras um caminho, fazer da noite o dia, fazer do medo a coragem.

Costumamos enxergar as coisas boas antes das más, nos iludindo pensando que a vida sempre é bela. No meu ponto de vista, e de acordo com minha história, enxergar as coisas ruins primeiramente, me remete às coisas que ainda tenho que superar para alcançar as boas. E assim, por vezes, consigo ser sincera comigo mesma. Não implica dizer que me guio pelas coisas ruins, implica sim, em afirmar, que somos felizes porque conhecemos a tristeza, amamos porque conhecemos o ódio, sorrimos porque conhecemos o chorar.

A vida é feita de contradições, de barreiras a serem superadas e, são com elas, que devemos aprender a dar o primeiro passo para andar, que devemos aprender a caminhar com graça.