
A Psicanálise é um recurso teórico rigoroso que estabelece o inconsciente como determinante na vida do sujeito. Ela vem mostrar o que está por trás do que mostramos, de quem mostramos, do que falamos e porque sentimos e agimos, enfim, porque gozamos.Portanto, a psicanálise criada por Freud desde o século XX, oferece conceitos que aqui serão elencados para que se possa entender os escritos posteriores.· Castração: representa uma experiência psíquica completa inconscientemente, vivida pela criança por volta dos cinco anos de idade e decisiva para a assunção de sua futura identidade sexual. A criança reconhece a preço a angústia, a diferença anatômica entre os sexos. [...] Terá de aceitar que seu pênis de menino jamais lhe permitirá concretizar seus intensos desejos sexuais em relação à mãe. (Nasio, p. 13, 1997). O menino teme a castração como realização de uma ameaça paterna em resposta às suas atividades sexuais, surgindo daí uma intensa angústia de castração. Na menina a ausência do pênis é sentida como um dano sofrido que ela tenta negar, compensar ou reparar. Está em estreita relação como complexo de Édipo e, mais especificamente, com a função interditória e normativa. (Laplanche, p. 73, 2001). Na “ameaça de castração” que cela a proibição do incesto, vem encarnar-se a função da Lei enquanto institui a ordem humana [...] (Laplanche, p. 76, 2001);· Fantasia: roteiro imaginário em que o sujeito está presente e que representa, de modo mais ou menos deformado pelos processos defensivos, a realização de um desejo e, em última análise, de um desejo inconsciente. (Laplanche, p. 169, 2001);· Ideal: de idealização, significa um processo psíquico pelo qual as qualidades e o valor do objeto são levados à perfeição. A identificação com o objeto idealizado contribui para a formação e o enriquecimento das instâncias ideais da pessoa (ego ideal, ideal do ego). (Laplanche, p. 224, 2001);· Narcisismo: por referência ao mito de Narciso, é o amor pela imagem de si mesmo. (Laplanche, p. 287, 2001). Existe o narcisismo primário onde o próprio corpo é objeto de amor, e o narcisismo secundário onde o sujeito adquire a sua própria imagem por meio da imagem do outro. Procuramos nós mesmos no outro, o que Lacan chamou de “estágio do espelho”;· Psicanálise: disciplina fundada pro Freud a qual pode-se distinguir três níveis: a) Um método de investigação que consiste em essencialmente em evidenciar o significado inconsciente das palavras, das ações, das produções imaginárias (sonhos, fantasias, delírios) de um sujeito. Baseia-se nas associações livres do sujeito que são a garantia de validade da interpretação. A interpretação psicanalítica pode estender-se a produções humanas para as quais não se dispõe de associações livres; b) Um método psicoterápico baseado nesta investigação e especificado pela interpretação controlada da resistência, da transferência e do desejo. O emprego da psicanálise como sinônimo de tratamento psicanalítico está ligado a este sentido: começar uma psicanálise (ou uma análise); c) Um conjunto de teorias psicológicas e psicopatológicas em que são sistematizados os dados introduzidos pelo método psicanalítico de investigação e de tratamento. (Laplanche, p. 385, 2001);· Recalque: entendida como a pedra angular onde se baseia toda a estrutura da psicanálise. É um mecanismo inconsciente, onde se nega algo insuportável para a consciência, antes de qualquer juízo negativo, condenatório por parte do sujeito. Freud apud Jorge (2002), afirma que a essência do recalque consiste simplesmente em afastar determinada coisa do consciente, mantendo-a a distância;· Repressão: é um mecanismo de defesa consciente, proveniente de ações externas. Em Laplanche, p. 457, 2001), significa em sentido amplo, operação psíquica que tende a fazer desaparecer da consciência um conteúdo desagradável ou inoportuno: idéia, afeto, etc. Neste sentido, o recalque seria uma modalidade especial de repressão;· Realidade: expressão utiliza muitas vezes por Freud para designar aquilo que no psiquismo do sujeito apresenta uma coerência e uma resistência às da realidade material; trata-se fundamentalmente do desejo inconsciente e das fantasias conexas. (Laplanche, p. 426, 2001).

