
Como pensar a educação numa perspectiva psicanalítica? Freud vem então discorrer sobre esse tema, logicamente, baseando-se na sexualidade.
Sabe-se que somos marcados por uma Lei que organiza nossa sexualidade e, por consequência, nos organiza socialmente. Essa Lei a que Freud cita, é estabelecida num processo inconsciente de castração, onde meninos e meninas são impedidos de realizar seu desejo, o incesto.
Somos proibidos moralmente de transar com pai, mãe, irmãos. Essa Lei vem organizar então, a sexualidade e abrir portas para o educar, seja no núcleo familiar, seja nas escolas e em outras instituições.
Hoje, julgamos que temos uma moral sexual civilizada, mesmo com tantos excessos. O que Freud vem criticar são exatamente os excessos de repressão que impedem a criança de ser mais autônoma, de ter sua própria forma de gozar da vida. É correto que se estabeleça limites, mas também é correto que o abuso de poder de quem tem certa autoridade contribui para uma sociedade menos criativa e mais reprimida.
Vê-se que os papéis estão se invertendo e a educação torna-se cheia de excessos onde os pais narcísicos já não assumem suas responsabilidades e as repassam para as escolas. Logo, a escola é obrigada a ensinar como se relacionar, enfim, fica responsável por educar e não, disseminar conhecimento.
Porém, não é só nas escolas e na família que a educação está equivocada. Freud vem afirmar que a religião contribui para o recalque. Em outras palavras, a religião é mais um consolo ilusório para amenizar o peso da vida. De certo, a religião tem seus bons feitos e efeitos, mas o que Freud tenta explicar é que deve-se ter uma educação voltada para a realidade.
Temos uma realidade que não deve ser negada e sim questionada, trabalhada em prol de uma sociedade mais consciente de seus atos. É claro que a questão narcísica, os ideais estarão sempre presentes no sujeito, influenciando na sua forma de gozar a vida. Mas quando se pensa em uma educação voltada para a realidade, pensa-se em um nível crítico elevado do ser e do estar. Mas as coisas não são bem assim.
O pedagogo se questiona, mas ainda é obrigado a atuar como pai e mãe; os pais ainda procuram consolos que amenizem as suas ações frustradas, estando sempre ocupados para educar e repassando suas responsabilidades, omitindo-se na educação e o psicanalista tendo o papel de reeducar. Como solução para nossa civilização alienada, Freud aposta na assunção da castração pela humanidade.
É na castração que conhecemos a diferença não só da sexualidade, mas a diferença do que é permitido e do que é proibido. Descobre-se os lados opostos, o sim e o não, a ordem e a desordem. Assim sendo, talvez se consiga amenizar essa cegueira civilizatória, e passar a enfrentar a realidade que tanto nos angustia, mas o que se pode afirmar é que enquanto isso, a psicanálise se encarrega de incomodar os acomodados.
Nenhum comentário:
Postar um comentário